Escrito na Agua

lundi 23 novembre 2009
par Annie Guir

Préface au catalogue de l’exposition à la galerie Fonseca Macedo

Escrito na Água

Oceano dos Açores
Enigmático,
A perder de vista, sem limites,
Tapeçaria sem fim de que eu tentei agarrar o espírito.

Oceano de luz e de cor, prisma de arco-íris
Cujas ilhas simbolizam todas uma cor.
Esta palavra (cor) está dentro do próprio nome do arquipélago.

Dialoguei muitas vezes com o Oceano dos Açores,
Neste lugar geográfico tão peculiar, à distância de todos os continentes
E, contudo, captando-lhes as ondas pela propagação das correntes.

Ponto nevrálgico, lugar histórico, falha telúrica.

Estas ilhas utópicas evocavam o esplendor da luz nas telas renascentistas
E lembravam-me que as grandes descobertas foram contemporâneas das
Grandes criações da arte italiana.
As ilhas dos Açores representavam a quinta essência do Oceano Atlântico.

Eu não parava de ir e vir entre Paris e os Açores e de pintar e de fotografar para tentar captar esta matéria constante, mas tão fluida que parecia sempre inatingível, figura emblemática do tempo que escorre, na respiração incessante deste grande corpo líquido que nos rodeia e que nos imprime a saudade no coração.

Eu tentava ler neste olhar, neste espelho do mundo e imagens apareciam nesta superfície cristalina que eu tentava decifrar : vibrações coloridas, alfabeto misterioso, pergaminho iluminado, partitura musical.

A história da humanidade parecia inscrita nas suas ondulações coloridas e as fotografias captavam estes reflexos ao quarto de segundo e levavam-me numa grande viagem apaixonada e vibrante de cor.

Traduzido por Maria Manuel Arruda